SCA 2012

I Simpósio Catarinense de Astronomia

Nos dias 1sca3 e 14 de julho de 2012, realizou-se o Primeiro Simpósio Catarinense de Astronomia (SCA), no auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, em Florianópolis. Foi um programa animador que contou com mais de 12 palestrantes, das diversas associações de Astronomia em Santa Catarina, e cumprido dentro do horário estabelecido. Togo Vaz Sepetiba, membro do NEOA/JBS e presidente da sessão, iniciou o programa dando boas-vindas à assistência de 62 pessoas. Para compor a mesa foi convidado Maurício Gariba Júnior, Diretor do IFSC – Campus Florianópolis, que chamou a atenção para a frase de José Brazilício de Souza: “Felizes aqueles que sabem ler, mesmo soletrando, os caracteres luminosos que e a noite insculpiu na abóbada celeste!”, destacando a importância da instrução e aplicação da Astronomia. Marcos Neves, professor de Física, Coordenador Geral do NEOA/JBS e Coordenador do Evento, lembrou dsca2os encontros anteriormente realizados em Santa Catarina e fez menção ao primeiro Encontro Astronômico realizado em Brusque em 26 de novembro de 2011. Acrescentou que mesmo em condições especiais, devido à greve dos servidores, o IFSC estava realizando este Simpósio, o primeiro em nosso Estado, servindo de estímulo para outros encontros subsequentes. Sueli Sepetiba, membro do NEOA/JBS e bisneta de José Brazilício de Souza, falou dos manuscritos deixados pelo bisavô como as observações astronômicas, minuciosamente detalhadas, e as músicas inéditas, que procura divulgar. Com isso, Sueli convidou a Banda Compasso Aberto para tocar algumas músicas de Brazilício, que alegrou a todos! A seguir iniciaram as palestras pelos representantes das associações catarinenses de Astronomia.

sca3Adolfo Stotz Neto, membro do Grupo de Estudos de Astronomia (GEA), falou sobre o tema: “A Astronomia e as mudanças de paradigmas”. Um paradigma é uma teoria básica, um modelo, ou lei estabelecida no modo de fazer ou entender uma ciência; estes modelos, segundo Stotz, foram muitas vezes rompidos pelas novas descobertas astronômicas. Alexandre Amorim, Coordenador de Observações do NEOA/JBS, com o tema: “Lua Cheia de perigeu: e daí?” mostrou como calcular o diâmetro aparente da Lua Cheia através de observações feitas por instrumentos simples. Após intervalo de almoço, Geison Eusébio e Larissa Morales, do Clube de Astronomia de Araranguá, apresentaram a palestra “A Física no Ensino Fundamental tendo a Astronomia como organizador prévio” que destacou as atividades de estudo e extensão realizadas com alunos do ensino de Física no fim do Ensino Fundamental, abordando questões relacionadas à Astronomia em sua cidade. “De olho no céu do meio-oeste catarinense” foi o tema abordado por Fábio Herpich, representante do Observatório Domingos Forlin, em Videira. Herpich mostrou o trabalho sócio-educacional desenvolvido pelo Observatório, com os projetos e divulgação astronômica aos estudantes e público em geral. A próxima parte, “Precessão do periélio de Mercúrio e a Gravitação de Einstein”, foi dirigida pelo Coordenador Geral do NEOA/JBS Marcos Aurélio Neves. O palestrante informou como a Teoria da Relatividade explica este fenômeno da órbita de Mercúrio até então considerado anômalo. O seguinte tema: “Divulgação científica de Astronomia por meio de um clube de Astronomia”, apresentada por Filipe Callado e Rafael Maciel, membros do Clube de Astronomia de Araranguá, abordou a potencialidade da Astronomia para desencadear nos alunos interesse pela ciência em geral. Após as palestras houve explicações de painéis. Adair Cardozo, membro do NEOA/JBS e Udo Dorneles, professor do Curso de Meteorologia do IFSC, mostraram o painel com a análise da incidência máxima de radiação solar na superfície da Estação Meteorológica Automática do IFSC–Florianópolis, com os ciclos de rotação e translação, considerando os dias com maior número de horas de brilho solar. Alexandre Amorim, do NEOA/JBS, apresentou dois painéis; no primeiro, destacou os registros de José Brazilício de Souza sobre a estrela variável Mira Ceti no período de 1885 a 1888, bem como a curva de luz desta estrela com base nos elementos de 1881. O segundo painel constou de uma atividade multidisciplinar a partir das observações visuais da cefeida eta Aquilae. À noite o programa seguiu com uma visita ao Planetário e Observatório da UFSC sob os comandos de Edna Esteves e Tânia M. Silva. A sessão no planetário, feita mediante o novo planetário digital, mostrou o céu de Florianópolis naquela noite. A sessão de observação noturna foi conduzida pela equipe do Grupo de Astrofísica da UFSC. A visita foi uma conclusão estimulante para o fim do primeiro dia de Simpósio.

sca4No segundo dia, o programa começou com a palestra “Fotometria visual: uma reclassificação”, aos cuidados de Alexandre Amorim, destacando métodos apropriados para avaliar o brilho de diversos objetos celestes. Na sequência, o tema “Propriedades físicas de galáxias do Sloan Digital Sky Survey detectadas no infravermelho médio e distante”, proferido por Fábio Herpich, do Observatório de Videira, mostrou a disponibilidade que atualmente tem a Astrofísica de utilizar ferramentas aperfeiçoadas na análise das propriedades físicas no infravermelho. O programa continuou com três partes apresentadas por Rodrigo Sato, fundador da Sociedade Meteorítica Brasileira, a saber: “Geologia interplanetária”; “História da meteorítica: internacional e brasileira” e “Meteoritos brasileiros”. Sobre a geologia interplanetária ele mostrou um quadro comparativo da constituição física dos planetas do sistema solar. Sato apontou os grandes marcos que constituíram a história dos meteoritos no Brasil e no exterior, por último, tratou especificamente dos meteoritos no Brasil, indicando que existem 64 meteoritos brasileiros catalogados. O professor Antônio Kanaan Neto, representante do Grupo de Astrofísica da UFSC, falou sobre o tema de sua pesquisa: “Anãs brancas e restos de sistemas planetários ao seu redor”, explicando como se sabe que determinada estrela é uma anã branca, seus tipos e sobre discos de poeira em torno destas estrelas. O programa seguiu com a apresentação “Arqueoastronomia em Florianópolis”, ao encargo de Adnir Ramos, um dos membros fundadores do Instituto Multidisciplinar do Meio Ambiente e Arqueoastronomia, destacando os inúmeros sítios arqueoastronômicos encontrados na Ilha de Santa Catarina, cujos alinhamentos rochosos servem de marcadores do tempo. Ramos também contou com uma exposição, dividida por sítios, na sala 15, próxima ao auditório. Daniel Rainman, do Clube Apontador de Estrelas – Chapecó, falou sobre a “Divulgação da Astronomia no oeste catarinense”, indicando as atividades que seu grupo realiza na região de Chapecó e os resultados positivos obtidos a partir dessas campanhas. “O novo sistema solar”, palestra ao encargo de Silvino de Souza, representante do Observatório Astronômico de Brusque “Tadeu Cristóvam Mikowski”, discorreu justamente sobre toda a classificação de planetas e planetas-anões e como isso interfere no ensino da Astronomia para asca5s crianças. Na entrevista: “Experiências do astrônomo amador”, o Sr. Avelino Alves, de Florianópolis, comentou os esforços em fazer observações visuais e como essas experiências enriqueceram sua vida. Durante a entrevista o professor Marcos Neves entregou o certificado de reconhecimento às mais de 10.000 observações realizadas por Avelino para as diversas associações nacionais e internacionais de Astronomia. Não é a primeira vez que Avelino Alves é reconhecido em nosso município, em 2009 ele já havia sido homenageado pela Câmara de Vereadores de Florianópolis como “cidadão honorário” por suas muitas contribuições à ciência. Neste primeiro simpósio também foi estabelecido o Prêmio Brazilício, dedicado àqueles que se emsca6penham avidamente na divulgação, na observação ou no ensino de Astronomia em nosso Estado. O NEOA/JBS, na pessoa de Sueli Sepetiba (bisneta de Brazilício), conferiu a Silvino de Souza, uma placa em homenagem ao trabalho de divulgação astronômica que ele vem realizando em Santa Catarina, durante quase toda sua vida. Todos na assistência ficaram profundamente comovidos pelo reconhecimento atribuído ao trabalho incansável desses astrônomos catarinenses, eles são exemplos motivadores e merecem ser reconhecidos e imitados!

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O programa finalizou com a apresentação de cada associação de Astronomia de Santa Catarina, participantes desse encontro. Para nossa surpresa, soubemos da criação de mais um grupo, formado a apenas 4 meses em Florianópolis, chamado Clube de Astronomia Padawan. Franz Kafka, representante do grupo, desenvolve um trabalho junto aos surdosmudos para estudo do céu. Por último teve a votação para escolha do próximo Simpósio e decidiu-se que o Segundo Simpósio de Astronomia será realizado em Videira (a cidade do vinho), no meio-oeste catarinense. Notamos que o fortalecimento desta importante ciência em nosso Estado dependerá do fortalecimento das associações de Astronomia. Esperamos estar reunidos em breve para mais um encontro e que este seja também motivador, não pelo número considerável da assistência, mas pelo espírito de união.

Fonte: Margarete Jacques Amorim. OBSERVE! Boletim informativo do NEOA – JBS ANO III – Número 8 – Agosto de 2012.

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