SCA 2013

SCA II 1 O II Simpósio Catarinense de Astronomia ocorreu em Videira, nos dias 1º a 3 de agosto de 2013, reunindo astrônomos profissionais e amadores de diversas Associações de Astronomia no Estado. O evento foi uma iniciativa do Observatório Municipal Domingos Forlin em parceria com o Instituto Federal Catarinense, Campus Videira e Prefeitura de Videira. Citando as palavras de Nelson Travnik, o evento “foi perfeito em todos os aspectos (programação, ordem, limpeza)”. Também estiveram presentes alguns representantes dos Estados do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul que contribuíram com palestras, apresentações e exposições de painéis.

SCA II 1a

Já no primeiro dia algumas horas foram dedicaSCA II 2das às observações, tanto no pátio do IFC como no Observatório. O fotógrafo Alberto Newton conseguiu capturar um instantâneo da admiração da professora Leda observando o planeta Vênus em plena luz do dia por meio de uma luneta que ela mesma construiu horas antes. À noite, durante as sessões no Observatório Domingos Forlin, foram mostradas as constelações que estavam disponíveis naquele horário (Centauro, Triângulo Austral, Cruzeiro, Corvo, Virgem, Libra e outras) e o público contou mais de 5 satélites artificiais que passavam naquele momento.

Antes do ato oficial de abertura o Profº Augusto Daminelli, que estava em São Paulo, discursou por meio de videoconferência sobre a estrela eta Carinae, tema de sua pesquisa. Falou também como uma pessoa pode seguir na carreira de astrônomo e da defasagem do número de astrônomos trabalhando profissionalmente em instituições de pesquisa. Por fim, encerrou sua participação respondendo perguntas da assistência.

A abertura oficial do evento se deu às 18:30 de quinta-feira, dia 1º de agosto, com a palestra do Profº Ramachrisna Teixeira sobre “Astrometria”, considerada uma das técnicas mais importantes na Astronomia, pois é através dela que se determinam as distâncias das estrelas e serve como medida fundamental para as dimensões de corpos mais distantes. A técnica utiliza a paralaxe para medir os deslocamentos e, consequentemente, as distâncias das estrelas mais próximas.

O programa deSCA II 1b sexta-feira, dia 2, começou pontualmente às 8:30 com a parte: “Projeto Astronomia na Escola do Clube de Astronomia de Araranguá (CA²)”, apresentada por Yuri Z. Miguel, Thayse Pacheco, Rafael Maciel e Felipe Damásio, que abordou o projeto de divulgação da Astronomia em escolas públicas da região do vale do Araranguá. Nesse projeto os envolvidos se deslocam até a escola que solicita e proporciona uma conversa sobre vários temas astronômicos. Na sequência Julierme Rosa (GEA–UNOCHAPECÓ) discursou sobre “As observações de Galileu como suporte ao heliocentrismo” indicando como Galileu, a partir de suas observações e avaliações, pôde perceber a relativa equivalência entre Terra e Lua, afirmando, portanto, que a Terra era um planeta vagando em torno do Sol e não mais o centro das órbitas.

Após o intervalo, o Profº Fernando José Braz tratou do assunto “Banco de Dados” – utilizados praticamente em todos os setores da sociedade. Na Astronomia não é diferente, estamos vivendo uma era de grandes surveys observacionais, o que nos leva a depender das funcionalidades de bancos de dados para análise, seleção de padrões e repetição.

“Observações à luz do dia” foi a apresentação oral conduzida por Alexandre Amorim (NEOA/JBS), que demonstrou como é possível observar diversos objetos astronômicos mesmo durante o dia e o tipo de segurança adequada para realizar alguns tipos de observações. Em “Luau Astronômico: atividade de extensão e divulgação científica articulada com o ensino formal” Filipe Duarte Calado, Francisca Pereira e Felipe Damásio discorreram a respeito de uma ação que procura articular o ensino formal com atividades de divulgação científica em ambientes não formais de ensino no IFSC – Araranguá. A parte “Jogos teatrais no ensino de Física”, de autoria de Newton Fraga, porém conduzida por Rodrigo Madeira Silva e Jeremias Ferreira da Costa, foi uma apresentação que relatou experiências da utilização de jogos teatrais como ferramenta para o ensino da Astronomia em uma turma de sexto ano de ensino integral num colégio da rede estadual em Curitiba/PR. A seguir, Diego de Bastiani (GEA – UNOCAPECÓ) chamou atenção para o tema: “A abordagem da Astronomia no conteúdo de Física do Ensino Médio da rede estadual de ensino em Chapecó”. Em sua pesquisa analisou os conteúdos de Astronomia abordados no componente no currículo da Física, a importância dada pelos professores aos tópicos de Astronomia e de que forma são apresentados aos alunos. “O ensino de física no Ensino Fundamental tendo a Astronomia como tema”, apresentado por Marília Campolino Peterle, Thiago Costa Farias e Felipe Damásio, explicou como o IFSC – Campus Araranguá, oferece o curso de licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física para formar professores capazes de atuar como divulgadores científicos. Em “Concepções Espontâneas e Concepções Científicas de Astronomia em Atividades de Extensão no IF Catarinense” o Profº Jônatas Steinbach revelou que poucos temas de Astronomia são tratados na educação básica, como consequência os estudantes continuam com suas concepções espontâneas, restando dúvidas sobre certos conceitos científicos. O programa de sexta-feira encerrou com uma nova visita ao Observatório Domingos Forlin, mas desta vez o céu não colaborou como na noite anterior.

Na manhã de sábado, dia 3, a primeira parte começou com uma apresentação oral: “Os cometas de 2013”, feita por Alexandre Amorim (NEOA/JBS), o qual mostrou um quadro realista da observação visual dos principais cometas com periélio marcado no presente ano. Os cometas abordados foram o C/2011 L4 PanSTARRS, C/2012 F6 Lemmon, C/2012 K5 LINEAR, 154P/Brewington e C/2012 S1 ISON. Na sequência, Hilson J. Gabriel, João C. Borges, Juliano A. Lazzarotto e Felipe Damasio explicaram como o curso de licenciatura do IFSC – Araranguá tem em seu projeto pedagógico a preocupação de promover mudanças, melhorando o ambiente escolar. Para tanto construíram a “Oficina de Ciências Isaac Newton: espaço para o ensino de Astronomia na escola pública”. O Profº. João Galera Monico palestrou acerca do “Global Navigation Satellite System – GNSS”, um sistema de navegação via satélite que envolve vários sistemas de posicionamento, tais como GPS (EUA), GLONASS (Rússia), Galileo (Europa) e Beidou/Compass (China). Envolve estudos de órbita de satélites, referencial celeste, propagação de sinal através da ionosfera e da troposfera, construção de satélites e receptores, referenciais geodésicos e ajustamento de observações. Pode ser usado na meteorologia através da recuperação de dados úteis obtidos via terrestre ou espacial. “Experiências observacionais” foi uma apresentação em forma de entrevista conduzida por Alexandre Amorim a Pedro Dorli Belotto, que pratica astronomia em Joaçaba/SC. O entrevistado apresentou um histórico de sua trajetória na Astronomia observacional e revelou como se dedica à construção de relógios do sol, combinando técnica e arte. Após estes relatos de experiências na Astronomia dedicou-se um espaço de meia hora para as associações. Marcos Neves, do IFSC – Florianópolis apresentou o Núcleo de Estudo e Observação Astronômica “José Brazilício de Souza” (NEOA/JBS) com seu atual projeto: “Ora direis ouvir estrelas”; Silvino de Souza fez um breve relato da história do Observatório Astronômico de Brusque “Tadeu Cristóvam Mikowski” e Lurdes Perinazzo apresentou brevemente a associação de Astronomia em Concórdia (IFC – Concórdia).

SCA II 3Durante os intervalos dos três dias os presentes eram convidados a visitar a exposição de painéis numa área reservada, próxima ao auditório. Os temas, bem diversificados, abordavam a qualidade do tema Astronomia nos livros de Física do Ensino Médio, mineração de dados de galáxias, aplicação da OBA no IFC – Videira, entre outros temas.

 

“Estrelas binárias interagentes: perda de momento angular, ciclos magnéticos e como isso pode afetar sua vida” foi a palestra que encerrou o Simpósio. O Profº Raymundo Baptista (UFSC) argumentou que em binárias compactas em interação, uma estrela do tipo solar transfere matéria para uma companheira compacta através de um disco de acréscimo. Quando a estrela compacta é uma anã branca estes sistemasSCA II 4 são chamados Variáveis Cataclísmicas. Observações revelam variações cíclicas nos períodos dessas binárias, que parecem refletir ciclos de atividades magnéticas semelhantes ao do Sol. Neste Segundo Simpósio o NEOA/JBS esteve novamente presente com vários representantes e o Prêmio Brazilício foi conferido a Alexandre Amorim, em reconhecimento ao seu trabalho no ensino, pesquisa e divulgação da Astronomia no Estado de Santa Catarina.

Os participantes do Simpósio receberam um CD contendo os resumos dos trabalhos inscritos. Num deles, o acadêmico José Thiago Alves, da Universidade Regional do Cariri, Ceará, enviou o resumo de seu trabalho sobre Etnoastronomia, abordando a Astronomia praticada no semiárido. Durante a plenária ficou estabelecido que o III Simpósio Catarinense de Astronomia ocorrerá na cidade de Brusque e será organizado pelo Observatório Municipal de Brusque “Tadeu Cristóvam Mikowski”. A edição do IV SCA em 2015 também já foi definida por maioria dos votos e o local escolhido foi a cidade de Concórdia, no oeste catarinense, sob coordenação do IFC – Concórdia. Incentivamos todos a estarem presentes!

Margarete Jacques Amorim
(com colaboração de Fábio Herpich)

Fonte: Margarete Jacques Amorim; Fábio Herpich. OBSERVE! Boletim informativo do NEOA – JBS ANO IV – Número 9 – Setembro de 2013.

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