SCA 2015

SCA IV

Nos dias 23 e 24 de julho de 2015 foi realizado o IV Simpósio Catarinense de Astronomia na cidade de Araranguá, extremo sul do Estado, nas dependências do IFSC – Campus Araranguá. Cerca de 150 pessoas estiveram presentes ao evento cujo tema era “Astronomia acima de tudo”. O matemático e físico Jules Henri Poincaré (1854-1912) afirma que a Astronomia nos eleva acima de nós mesmos porque é útil e bela. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo e grande no espírito, já que nesta imensidão (o universo), onde o homem não passa de um objeto obscuro, sua inteligência pode abarcar o todo e dela fluir a silenciosa harmonia, nos tornando fortes. Foi neste clima alegre e compreensivo que ficamos envolvidos com a programaçãoSCA IV 1. Os distintos temas abordados foram: “Outros mundos: a diversidade de planetas extrassolares”. Esta palestra, apresentada por Bernardo Borges, mostrou que conhecemos atualmente mais de 1500 planetas fora do Sistema Solar e esse número cresce a cada dia. O histórico das descobertas, os métodos de detecção e as características dos planetas extrassolares foram apresentados neste seminário. Gustavo Salerno, com o assunto “Sistema Solar”, abordou diversas características desse Sistema, seus planetas, o Sol e particularmente a Terra. Destacou também as descobertas feitas pela sonda New Horizons enviada a Plutão e a sua lua Caronte, sendo a primeira a visitar este planeta anão. Interessante, como destacou Salerno, é cada vez mais fácil projetar sondas e satélites e algumas tecnologias da New Horizons foram criadas por equipes de estudantes. Rogério Riffel fez duas palestras, a saber: “Asteroides e cometas: o que são e possibilidades de impactos com a Terra” e “Populações estelares em galáxias”. Na primeira palestra ele explicou a diferença entre os dois corpos celestes e fez estimativas sobre um possível impacto com a Terra. Na segunda palestra mostrou porque é importante saber as características das estrelas que compõem a luz de uma galáxia, permitindo compreender como o universo é hoje e como foi no passado. Também, qual a idade e composição química das estrelas que compõe uma galáxia. O professor Felipe Damásio trouxe um tema provocativo: “O início da revolução científica: questões acerca de Copérnico e os epiciclos, Kepler e as órbitas elípticas”.SCA IV 2 Damásio esclareceu algumas ideias equivocadas que são transmitidas como fatos. Uma delas é sobre a revolução copernicana. Sabe-se que esta revolução não se baseou em fatos novos. Tanto a hipótese de Copérnico como a de Ptolomeu eram inconsistentes com muitos fatos observacionais conhecidos, como as posições do planeta Marte, por exemplo. Se as revoluções científicas consistem em descobrimento de novos fatos, então não existiu uma revolução copernicana científica, afirmou o professor. “Eclipse, o maior espetáculo celeste”, palestra por Silvino de Souza, que ensinou como os eclipses solares e lunares ocorrem. Para Silvino, esse é o mais fascinante fenômeno celeste, embora, por muito tempo, tenha sido motivo de medo e superstição para a humanidade. Cindy Jiménez e Ricardo Gutierrez demonstraram como os textos antigos e instrumentos históricos facilitam o ensino da Astronomia. Eles fizeram uso de astrolábios, esfera armilar e bússolas para mostrar como os antigos navegadores se guiavam pelas estrelas. Alexandre Amorim, do NEOAJBS, falou sobre: “Observação visual: ontem, hoje e Sempre!”.

Ele destacou o papel fundamental das observações nas grandes descobertas e quebras de paradigmas na história da Astronomia. Deu como exemplo Tycho Brahe, Johannes Kepler e Galileu Galilei, que impulsionaram uma nova Astronomia com base em observações visuais. SCA IV 3Destacou a observação visual como forma de aprender, pesquisar e ensinar, usando exemplos aqui em Santa Catarina como José Brazilício de Souza, Raulino Reitz e Bernardino de Senna Campos. Bárbara Perez falou do projeto “Astronomia em LIBRAS no Planetário da UFSC”. Libras é uma linguagem de sinais para comunicação entre surdos e Bárbara descreveu as dificuldades de transmitir conceitos científicos ainda não constituídos (transformados) em libras. “A gravidade e o universo” foi o tema de Adolfo Stotz Neto. De modo prático, Stotz explicou a clássica Lei da Gravitação Universal de Newton. Adolfo também recebeu o “Prêmio Brazilício”, de incentivo à divulgação da ciência astronômica em nosso Estado. Ele dedicou o prêmio a todos os amigos do Grupo de Estudo de Astronomia (GEA), pois, segundo Stotz, “ninguém faz nada sozinho”.

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Adolfo está na presidência do GEA desde 1987 e incentiva que o Brasil faça parcerias com grandes observatórios instalados no Chile, Estados Unidos e Austrália. Em quase 30 anos de existência, o GEA já ministrou mais de 60 cursos de Astronomia. E o que dizer das associações de Astronomia presentes ao IV Simpósio? Simone Marcon, do Clube Apontador de Estrelas, Daniel Raimann, professor da UDESC, e Diego de Bastiani, do Clube Sigma Octantis, todos de Chapecó, apresentaram-se para falar de seus trabalhos. Diego montou uma estação de monitoramento de meteoros e Raimann trabalha com o planetário digital móvel.

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SCA IV 6Em Florianópolis temos o NEOA-JBS que, conforme Marcos Neves, têm divulgado a Astronomia por meio de exposições, palestras, cursos e sessões de observação astronômica nas escolas e praias da Ilha. A professora Tânia Maris, do Planetário UFSC, fez um retrospecto da história do Planetário desde sua criação em 1971, mostrando como a Instituição tem incentivado os alunos a aumentarem o conhecimento astronômico deles. Gleici Lima, do Observatório de Videira, contou do novo estudo desenvolvido com as crianças.

Sem sombra de dúvida, esses encontros servem, sobremaneira, como forma de incentivo da Astronomia no Estado, pois une as pessoas e revela o trabalho que estão realizando. Foi definido, em plenária, que o V SCA (em 2016) será em Chapecó, no oeste do Estado. O encontro acontecerá na sede da Universidade do Estado (UDESC). O professor Alexandre, que compareceu ao encontro junto com uma caravana de 12 pessoas, apresentou-se para sediar o VI SCA no IFSC – Campus Jaraguá do Sul, em 2017, proposta que também foi aprovada na reunião plenária. Até lá!

Margarete Jacques Amorim

Fonte: Margarete Jacques Amorim. OBSERVE! Boletim informativo do NEOA – JBS ANO VI – NÚMERO 9 – Setembro de 2014.

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